Clínica de Saúde Mental
Janeiro: novos hábitos que realmente duram (e por que a tua mente agradece)
Janeiro carrega consigo uma dualidade curiosa. Se, por um lado, sentimos o entusiasmo de um "livro em branco", por outro somos bombardeados por uma pressão social para a renovação total. Quantas vezes sentimos que, ao passar da meia-noite do dia 31, temos a obrigação de nos tornarmos numa versão "melhorada" de nós mesmos?
É possível vivermos este início de ano a correr atrás de ideais inatingíveis, sem nos apercebermos de que, tal como num sprint, a energia gasta inicialmente pode levar à exaustão antes mesmo de janeiro terminar. O desejo de mudança em prol da nossa saúde mental é legítimo e saudável, mas a forma como o tentamos implementar falha muitas vezes por desconsiderar a nossa humanidade e os nossos ritmos internos.
Neste artigo, convidamos-te a desacelerar e a olhar para as resoluções de ano novo não como uma lista de exigências, mas como um convite ao autocuidado sustentável.
Resolução vs. Rotina: Onde reside a diferença?
Já todos ouvimos falar ou experienciámos na primeira pessoa o abandono das resoluções de ano novo nas primeiras semanas do ano. Este fenómeno é explicado através da distinção entre o desejo (a resolução) e o comportamento automatizado (a rotina).
A resolução nasce muitas vezes de um lugar de negação: "Eu não gosto disto em mim, por isso vou mudar". No entanto, a mudança que nasce da autocrítica tende a ter pernas curtas. Já a rotina, ou o hábito, constrói-se na repetição e na recompensa intrínseca.
De acordo com a American Psychological Association [1], comportamentos duradouros são mais facilmente criados quando:
- O contexto é ajustado
- Os passos são realistas
- A mudança não depende exclusivamente da força de vontade (um recurso limitado)
Em termos práticos, a resolução é o destino, e a rotina é o caminho percorrido todos os dias, mesmo quando a motivação oscila.
Como definir metas de saúde mental sustentáveis
Como sociedade, estamos mais habituados a definir metas que envolvam a produtividade ou a estética, mas ignoramos bastante (ou estamos pouco preparados para) definir metas de saúde mental.
Definir uma meta sustentável implica compaixão e consideração por nós próprios. Em vez de pensarmos "vou deixar de ser ansioso" (algo que não controlamos totalmente), podemos definir "vou dedicar 10 minutos por dia a uma pausa consciente". É importante lembrar que, na sua definição, a saúde mental não se resume à ausência de doença, mas ao estado de bem-estar que permite ao indivíduo lidar com o stress da vida, realizar as suas capacidades e manter relações significativas [2].
Portanto, as tuas metas de janeiro devem aproximar-te desse bem-estar, e não criar mais uma fonte de stress ou culpa.
Como medir o progresso quando ele não é visível?
O progresso em saúde mental não é linear. Não se assemelha a uma escada sempre ascendente, mas a um processo com avanços, pausas e recuos.
Medir o progresso passa por observar mudanças subtis, como:
- Capacidade de reconhecer emoções
- Respostas menos reativas em momentos difíceis
- Gentileza contigo próprio em dias desafiantes
Tal como as estações do ano, há períodos de crescimento e outros de recolhimento. Ambos fazem parte do processo.
Quando a Psicoterapia pode acelerar a mudança
Em determinadas fases da vida, percebemos que a vontade de mudar, por si só, não basta. Sentimo-nos perdidos no processo de alcançar metas, e é aqui que a psicoterapia desempenha um papel crucial.
A intervenção psicológica é fundamental não apenas para remediar o sofrimento, mas para a promoção de competências e prevenção. Na Clínica Hippocampus, encaramos a psicoterapia como uma "introspeção acompanhada". O psicólogo não define o caminho por ninguém, mas ajuda a iluminar a estrada. Num processo terapêutico, é possível:
- Identificar padrões que levam ao abandono recorrente de objetivos;
- Validar emoções, criando um espaço seguro para o medo, a dúvida e a ambivalência;
- Desenvolver autonomia, através de ferramentas que ajudam a tomar decisões mais alinhadas contigo próprio.
Começar, devagar
Se este início de ano te trouxe ansiedade em vez de esperança, sabe que essa sensação é mais comum do que podes imaginar. Não precisas de mudar a tua vida toda num mês.
Lembra-te que procurar um olhar externo e seguro, através da psicoterapia, é um ato de coragem e o primeiro passo para uma mudança que realmente dura.
Este ano, cuida de ti. Não como uma resolução, mas como um compromisso.
Sentes que precisas de ajuda para definir este novo rumo? A nossa equipa está disponível para te apoiar.
Agenda a tua primeira consulta aqui.
Referências Bibliográficas
[1] American Psychological Association (APA). (n.d.). Making lifestyle changes that last. Disponível em: https://www.apa.org/topics/lifestyle-changes
[2] Organização Mundial de Saúde (OMS). (2022). World mental health report: Transforming mental health for all. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338
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